Quem Vai Ajudar Dona Custódia?

Ontem a noite às 19h40min meu amigo Rawfy e eu embarcamos no coletivo 517 (Expresso Terminal de Laranjeiras), na Av. Vitória, em Vitória-ES, era apenas mais uma quinta-feira igual a todos os outros dias, pensávamos assim. Seria a noite do dia 11 de dezembro de 2008, igual às anteriores? Acredito que em parte sim.

Dentro do ônibus escolhemos ficar perto da porta traseira já que não havia lugares para irmos sentados, ali perto de nós havia uma senhora que estava sentada sozinha e aparentava dormir, seria muito rápido parte do que aconteceria logo em seguida.

Outra mulher observou que a senhora não estava dormindo ou cansada, mas sentindo-se muito mal, logo algumas pessoas tentaram ajudar, o que fez o motorista do coletivo mudar seu itinerário, e dirigir a um hospital mais próximo. Se entrarmos nos detalhes do que aconteceu ficaremos dias inteiros ou anos e descobriríamos que o amor está em extinção.

No primeiro hospital que chegamos nem nos deixaram entrar com Dona Custódia, que já estava desmaiada, com a pele gelada e a respiração fraca. Fomos a outro lugar em busca de atendimento, quando nos aproximamos do PA (Pronto Atendimento), eu peguei Dona Custódia no colo e desci do ônibus, passei para o Rawfy que a levou nos braços por duas ruas, e depois eu a levei o restante do caminho até o local que deveria ser para Pronto Atendimento.

Entrei com a senhora em meus braços no Pronto Atendimento, e não conseguimos nada além de uma cadeira de rodas. Após tentarmos acomodá-la na cadeira ela começou a piorar, se esticava e se retorcia travando as articulações, ela ficou dura e esticada como se fosse uma tábua. Próximo de nós estavam o motorista o cobrador do ônibus e uma mulher que tentava agilizar as coisas com o pessoal da recepção para que Dona Custódia fosse logo atendida.

Dona Custódia não foi atendida no Pronto Atendimento, ligamos para a filha dela para buscá-la e nós saímos indignados e cheios de perguntas, que buscavam saber o que precisa para melhorar os atendimentos em locais de atendimento.

A enfermeira que não atendeu a Dona Custódia, me disse que não podia fazer nada porque não havia leito, nem lençol. Imagino que também não haja coração no peito de muitos que trabalham em hospitais. A maioria se esconde atrás das grandes dificuldades presentes nos hospitais públicos, eles não podem fazer muito sem recursos, mas é intrigante que a maioria não faz nem o básico, que é se aproximar de quem necessita de socorro.

Por um momento achei que Rawfy e eu éramos “bons samaritanos”, porque vimos alguém sofrendo e levamos ao hospital, com uma grande diferença, não tínhamos o endereço do lugar onde o bom samaritano levou o ferido que estava à beira do caminho.

A quem levaremos os feridos? Qual a nossa parte no tratamento com as pessoas?

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos. Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo”. Hebreus 13: 2-3.